E se povo tivesse a chance de votar pelo acordo climático?
Letícia Freire, do Mercado Ético
Já pensou se nós, seres humanos comuns, tivéssemos a chance de participar de um plebiscito sobre o acordo climático? Essa pergunta veio em minha mente depois de ler, nesta manhã, o desabafo virtual de Myles Allen, chefe do Climate Dynamics Group, ligado ao departamento de Física da Universidade de Oxford.
“Disseram que esse encontro poderá causar mudanças substanciais em vários aspectos da nossa vida, e muito mais na vida de nossos netos. Disseram que esse acordo envolverá decisões em áreas fundamentais para a política global. Não seria o caso de dar à humanidade a chance de resposta para os entraves políticos?”, diz ele logo no começo do documento. Instantaneamente pensei: “seria interessante!”
Claro que muitas razões indicam que essa pode não ser uma idéia tão boa assim. Imagine, por exemplo, a consequência de amargar um “não” para nossas obrigações climáticas? (Kyoto ainda revive para nos contar esse sentimento).
Como Allen mesmo relata em seu artigo, inúmeros argumentos técnicos estão em jogo. Pouco se fala, por exemplo, sobre os processos que conduzirão o mundo a uma economia de baixo carbono e como o excedente gerado pelo comércio de CO2 deve ser aplicado em nome da sustentabilidade, ao invés de interesses privados e restritos. Pensar nisso é pensar no preço que pagaremos pelas decisões dos chefes de estado reunidos para encerrar as negociações da COP15.
Entender e pedir por um bom acordo nunca é demais, seja ele pelo voto direto ou não. Os impasses estão acontecendo e eram esperados. Mas, supondo que a questão climática fosse decida pelas pessoas, qual seria sua resposta? Você apoiaria um acordo associado ao comércio de carbono, desenvolvido para mitigar os efeitos do aquecimento global?

